Edição nº 4- Mês de Outubro (2008)
Prémios Nobel 2008
Paz
Martti Ahtisaari, há muito que era considerado como um sério pretendente ao Nobel da Paz e fundou a sua organização não-governamental CMI em 2000. Foi através dela que conseguiu o acordo de paz entre o governo indonésio e os ex-rebeldes maoístas independentistas do Movimento Aceh Livre, pondo fim a um conflito que fez cerca de 15 mil mortos desde 1976.
Na qualidade de enviado especial da ONU, em 1999 e, depois, em 2005-07 procurou uma solução para o conflito no Kosovo, elaborando um plano que defendia uma independência da província sérvia, sob supervisão europeia, com uma autonomia alargada para a minoria sérvia que habita o Kosovo. Mas este plano foi rejeitado pela Sérvia e pela Rússia, o que acabou por originar a independência unilateral do Kosovo a 17 de Fevereiro deste ano.
Ahtisaari foi activamente contra a invasão do Iraque pelas tropas norte-americanas e liderou a adesão da Finlândia à União Europeia, em 1995, e a sua entrada no grupo da moeda única, em 1999.
Literatura
O Prémio Nobel da Literatura 2008 foi atribuído ao francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, escritor que a academia sueca considerou de “ruptura, aventura poética e êxtase sensual, explorador de uma humanidade mais além e na base da civilização reinante".
Le Clézio escreveu o seu primeiro livro aos sete anos durante uma travessia marítima rumo à Nigéria. E foram sempre as viagens, que nunca cansou de empreender, o que inspirou a sua literatura.
Nascido em 1940, este autor formou-se em Letras, trabalhou na Universidade de Bristol e de Londres, em Inglaterra. Com 23 anos, ganha o Prémio Renaudot, um importante galardão francês, por um ensaio que ainda hoje é considerado magistral, "Le procès-verbal".
Ensinou nos Estados Unidos, cumpriu o serviço militar na Tailândia, como cooperante, de onde é expulso por denunciar a prostituição infantil, terminando depois a missão militar o seu serviço militar no México. Partilhou a vida com os índios do Panamá e agora vive entre Albuquerque, nos EUA, e Nice, França.
"O Processo de Adão Pollo", "O caçador de tesouros", "Deserto" - considerada a sua obra-prima - "Estrela errante", "Diego e Frida" e "Índio branco", são os livros de Jean-Marie Gustave Le Clézio mais conhecidos.
Medicina
Harald zur Hausen é o fisiólogo alemão que ganhou “metade” do Nobel da Medicina pela sua descoberta do papilloma humano que dá origem ao cancro cervical. Hausen vai partilhar o Nobel com Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier.
Estes dois investigadores franceses são premiados pela descoberta do vírus de imunodeficiência humana - o HIV/Sida - e toda a sua pesquisa no âmbito dos retrovirais e do combate à doença.
Física
A simetria esteve na base da atribuição do Nobel da Física 2008. O prémio foi para o japonês Yoichiro Nambu, que nos anos 60, formulou a sua descrição matemática que explica por que é que o mundo não é simetricamente perfeito: devido à falta de simetria das pequenas partículas físicas.
Makoto Kobayashi e Toshihide Maskawa, também japoneses, vão partilhar o Nobel com o colega por encontrado a origem da fragmentação simétrica das partículas, que dá origem a três grupos de átomos na Natureza.
Química
A proteína verde florescente, GFP, foi a descoberta que deu a Osamu Shimomura (japonês), Martin Chalfie e Roger Y. Tsien (norte-americanos) o Nobel da Química. Esta proteína foi observada pela primeira vez nas águas vivas, em 1962. Desde então é uma das mais importantes ferramentas na biociência contemporânea, porque com a sua ajuda é possível ver processos anteriormente invisíveis, como por exemplo, a forma de funcionamento das células nervosas ou como as células cancerígenas se multiplicam
Livros: Vinte intelectuais turcos recusam participar na Feira de Frankfurt
A Turquia é a convidada de honra da edição deste ano Feira do Livro de Frankfurt mas cerca de 20 escritores e críticos literários turcos negaram-se a participar no certame.
Entre eles, estão alguns dos mais consagrados autores da moderna literatura nacional que, em declaração conjunta, acusam o governo pró-islâmico de Recep Erdogan de "não ter o direito de representar a cultura e a literatura turcas".
Na comitiva oficial dos escritores estará também o autor de "best-sellers" Murath Mungan, que se declarou publicamente homossexual, num país em que o "coming out" está longe de já ser uma evidência.
Quanto ao vencedor do Prémio Nobel, Orhan Pamuk, já foi várias vezes vítima da intolerância nacionalista e só recentemente viu arquivado um processo contra si em tribunal, por ter afirmado que a Turquia praticou um genocídio sobre o povo arménio.
Mas a verticalidade de Pamuk dá frutos: vários intelectuais exigiram a abolição do Parágrafo 301 do Código Penal Turco, que castiga "Ofensas à Turcalidade" e, claro, espera-se que a questão do (des)respeito pelos direitos humanos na Turquia seja um dos grandes temas a debater na Feira do Livro.
A avaliar pelos temas dos colóquios em redor da participação turca - Libertação da Mulher, Migrações e Liberdade de Opinião, a par de Futebol, Música e Humor, mas também do Papel do Islão na Turquia - o interesse dos debates parece garantido.
Polémicas à parte, a Turquia enviou a Frankfurt uma embaixada de mais de 200 escritores, liderada por Orhan Pamuk e "A Turquia em todas as suas Colorações" é o lema escolhido para apresentar o país, que tem na Alemanha uma comunidade de quase três milhões de pessoas.
Em vésperas da Feira, foram traduzidos de Turco para Alemão cerca de 400 títulos, número impressionante que leva os organizadores do certame a pensar que este ano poderá ser batido um recorde de afluência, e alcançar-se a marca dos 300 mil visitantes até domingo.
Desde que o germano-turco Fatih Akin ganhou o Festival de Cinema de Berlim, em 2004,com "Geggen die Wand" (Contra a Parede), a Alemanha ficou a saber que existe uma elite turca nascida no país de acolhimento, e que Turquia não é sinónimo de Anatólia, a sua região mais pobre e menos alfabetizada.
A presença em Frankfurt vai ser aproveitada, assim, para desfazer alguns mitos, e mostrar a pujança da cultura turca, garantem os responsáveis.
"Quem abrir os olhos, verá na nossa música, na nossa arte, na nossa literatura e arquitectura influências dos Balcãs, do Irão, do Mundo árabe, e traços de diferentes grupos étnicos, linguísticos e religiosos", afirmam num documento de apresentação.
"Esta é a oportunidade que esperávamos, e não vamos desperdiçá-la", garante a editora turca Muege Guersoy, vice-presidente do Comité de Organização do seu país na Feira de Frankfurt.
Na era pré-islâmica, as histórias de nómadas marcaram os primórdios da literatura turca que, mais tarde, no Reino Otomano, esteve sob forte influência persa e árabe.
Com a fundação da república, no princípio do Século XX, o lema passou então a ser a aproximação dos escritores ao povo.
As reformas introduzidas por Mustafa Kemal Ataturk e a opção pelos caracteres latinos em detrimento dos árabes, em 1928, marcaram outra grande mudança.
Para contar tudo isto, e muito mais, a Turquia vai ter em Frankfurt, além dos escritores, cerca de 700 artistas, de músicos a pintores, e levar a cabo dezenas de actividades.
WASHINGTON - Engenheiros da Nasa disseram que sabem como consertar o Telescópio Espacial Hubble: eles têm de despertar peças de computador inativas no espaço há mais de 18 anos.
Na quarta-feira, 15, a agência espacial vai começar um complicado processo de conserto à distância de uma falha grave que interrompeu a captura de imagens do telescópio. O Hubble deve estar apto a manda imagens para a Terra na sexta-feira, 17, disseram os representantes da agência.
A falha abrupta, há mais de duas semanas levou a Nasa a adiar sua missão de upgrade do telescópio de outubro para fevereiro de 2009. O atraso está custando cerca de US$ 10 milhões por mês para a agência, disseram representantes em teleconferência.
A chave para o conserto é ativar um sistema de backup que não é ligado desde que o telescópio foi lançado, em 1990. Os dados científicos serão reencaminhados para esse sistema.
Art Whipple, gerente dos sistemas do Hubble, disse estar confiante de que o sistema de backup vá funcionar mas que "é obviamente uma possibilidade que as coisas não funcionem."
Ele disse que componentes de outros satélites que não foram ativados por 10 ou 15 anos funcionaram quando ativados.
No início da quarta-feira, 15, uma equipe de cerca de 40 engenheiros da NASA vão enviar centenas de linhas de códigos complicados para o Hubble. O observatório inteiro será colocado em modo de segurança, pela sexta vez em sua história de 18 anos, enquanto os dados estiverem sendo redirecionados. Há um risco de que ele são saia do modo de segurança, mas é improvável que os reparos piorem a situação do Hubble, disse Whipple.